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domingo, julho 19, 2015

Adestramento.

Então. Tá funcionando o adestramento.
Nessas últimas semanas experimentei o método JK: realizar em 5 semanas o que devia ter feito em 5 meses.
Evidentemente, não obtive sucesso. Ou sim... Obtive mas...

A questão é: Estudei muita matemática (entre outras coisas) e amei fazer isso. Mas não performei nas avaliações... o que não é sucesso para minha vida acadêmica mas é sucesso total para minha sanidade.

Fiquei motivada, fiz tudo com prazer (Tá... admito que me violentei um pouco no começo...) mas teve um ponto que eu fui feliz fluindo leve enquanto entendia assuntos que me interessam muito porém exigem que eu tenha conceitos/informações torturantemente aprendidas ao longo do curso...

Achei que já tinha perdido essa capacidade de aprender coisas obrigadas de uma maneira feia e desinteressante... E que jamais iria submeter outras mentes a esse tipo de violência (no caso de eu seguir carreira acadêmica e acabar dando aula em universidade)...

Eis que existe a internet, o youtube, o coursera, Stanford Everywhere, MIT open courses... E principalmente Matemáticos apaixonantes como Jim Fowler, Arthur Mattuk, Gilbert Strang, Brad G. Osgood, Chris Tisdell... Que estão em vídeos interessantíssimos com matemática universitária dando sopa na rede. E me lembraram de porque e o como eu queria ser quando escolhi estudar matemática. Bem... do meu jeito, mas cativando quem estiver me ouvindo. 

Mas voltando ao adestramento... apenas apagamos o incêndio que era fazer todas as avaliações que faltavam até o fim do semestre letivo que era dia 17/7, sem ficar depressiva ou surtada ou perder a sanidade de alguma maneira...

Agora vamos ver como vai ser sem cordas no pescoço... Sem depressão, com receitas médicas de todas as cores... E disposição.

Caso, não me jubilem agora, no próximo semestre terei a chance de cursar duas disciplinas (Porque to empolgada - só precisaria de uma) e apresentar um lindo Trabalho de Conclusão de Curso.  

Assim tenho 20 dias de "férias" que posso: estudar, digitar tcc, arrumar coisas da casa e da vida prática que ficaram sendo adiadas, reativar a facenóia, fazer Duolingos loucamente, tricotar, fazer vídeos de matemática (não que eu saiba ou tenha coragem de postar... mas tenho vontade), organizar o canto das costuras e brechó, achar algum bico, conseguir dinheiro pra não ter que trabalhar durante o semestre...  Será que to eufórica? Muahahahahahahaha!!!

Beijinhos, 
Se é que tem alguém lendo...


quinta-feira, julho 28, 2011

vida café-com-leite inclui férias café-com-leite :x

Especialmente para meus leitores madrugadeiros, resolvi postar mais um mini capitulo da minha novela particular...
Sobre o TDAH, a UFSC, eu e o Ministério Público.

O que aconteceu:
Depois de aceitar que tenho isso, engolir meu desprezo pela medicina tradicional, me submeter a esse tratamento, me expor diante de professores e assemelhados ainda viriam problemas relacionados a ignorância alheia...

Sem meias palavras: Sabendo que tinha direito de receber tratamento pedagógico adequado fui atrás de meus direitos. Algumas pessoas disseram que iriam ajudar, mas sem saber direito como, não fizeram nada. Outras pessoas deliberadamente não fizeram o que deviam ter feito simplesmente porque têm um ego imenso e não são capazes de proferir as palavras "desculpe-me, eu estava errada, farei o possível para consertar meu erro de julgamento e consequências".

Ai que entra o MP na história.
Depois de ter passado um ano reclamando de falta de critério de avaliação de um certo professor, via ouvidoria, recebi a resposta do departamento de que minhas reclamações não poderiam ser verificadas pois não estava prevista dentro dos regulamentos... E outras saídas frustrantes motivadas pelo corporativismo óbvio e pela falta de articulação dos estudantes. Assim descobri o MP Federal. O que foi uma felicidade para minha alma inconformada com tanta incompetência e falta de vontade de fazer o que é ético e correto.

E como em toda boa história nessa também haviam pessoas do bem que fazem seu trabalho com dedicação e contentamento ;) e eu tive sorte de encontrar várias dessas pessoas em meu caminho.

Gastei uma tarde explicando o que estava acontecendo, e fazendo uma representação. Lá me explicaram que iria demorar um pouco para as coisas se acertarem, mas que eles iriam averiguar se eu estava tendo meus direitos respeitados.

Assim depois de um semestre tenso, e ainda por cima adequação de medicamentos aconteceu o esperado: Fiquei com I em uma das disciplinas, outra passei com 6 (e possibilidade de melhorar a nota nas férias) e a terceira mais complicada porque para melhorar eu tenho dificuldades com a matéria e a professora é inacessível: nessa fiquei com prazo para entregar um trabalho condicionado ao atestado médico (que eu já tinha). Se eu tiver média, terei direito a fazer uma prova de recuperação. Ou seja, café-bem-amargo no semestre e férias café-com-leite...

Mas estou bastante satisfeita com o que consegui:

+A partir de 2011.1 tem gente competente intermediando minhas relações academicas e capacitando todos os meus professores. Agora tenho uma chance de ser avaliada em pé de igualdade com meus colegas :)

+Todos as pessoas que acompanharam minhas novelas puderam constatar que existem pessoas que não engolem sapo (ou não muitos, pelo menos) e com essas é melhor fazer o correto sempre pois desgasta menos que ter que consertar ou encobertar os erros.

+Ter certeza que estabilidade no emprego público tem limite sim. E abuso moral é falta grave. E gravar conversas para usar como prova de defesa está perfeitamente dentro da lei, mesmo que o interlocutor não saiba que a conversa está sendo gravada. O que está errado é induzir a pessoa a cometer um crime e gravar, como por exemplo oferecendo suborno.

+Os próximos portadores de TDAH já tem um caminho concreto a seguir. É só procurar pelo Programa de Inclusão na PREG e/ou PRAE.

+Descobrir que não estou sozinha. Existem outros alunos com o mesmo diagnóstico que já estão recebendo tratamento pedagógico adequado.

+Entender que devo continuar seguindo minha vocação porque o TDAH vai junto dificultando tudo, independente da escolha. A respeito das m&R#@$ que ouvi, ainda que eu decidisse mudar para algum curso que a maior parte dos alunos tenha dificuldade na matemática e ela seja necessária, eu teria dificuldades piores, pois o desprazer (com o conteúdo ou com os professores) atrapalha exponencialmente meu aprendizado. Por isso o desejo ardente de me cercar de pessoas que trabalham satisfeitas com suas escolhas, e o desespero em ter que me sujeitar a presença de frustrados que passam seu tempo reclamando sobre o capim minguado no fim do mês e esperando a aposentadoria em lugar de encontrar uma ocupação na qual estejam engajados e satisfeitos. #prontofalei

+Descobri que tenho meus pontos positivos, incluindo a criatividade e agilidade de uma mente com milhões de pensamentos (cuja distinção sobre o que é prioritário ainda precisa ser mais treinada, é claro). E a minha própria maneira, chego as soluções que busco. (apenas 5% da população tem essa curse and gift) E a capacidade de ver pontos de vista como esse :)

+Descobri que ter coragem é fazer o que acha certo apesar do medo.

+Descobri que meu maior medo era perder meus amigos, agora entendi que os amigos verdadeiros nunca se perdem quando vivemos o que acreditamos. E acabamos por fazer muitos outros no caminho.

(Uma vez mais posto com um delay - só um semestrinho de atraso - escrevi nas férias passadas, durante uma madrugada inspirada de Janeiro... Tenho que admitir que as férias atuais estão sendo TUDO menos café com leite! E SEM CULPA! Agora preciso escrever a atualização da novela... os novos capítulos)

segunda-feira, julho 19, 2010

Eu NÃO perdi a senha!

Não, eu não perdi a senha do blogger :)
Eu só tive um semestre sem noção, iludida com alguns resultados do tratamento...
Vou contar tudo aqui, em algum momento.
Por agora, estou de férias (ou quase, mas explico depois...) na Argentina.
E colocando as prioridades e as idéias em dia.
Se alguém souber de algo legal para fazer/visitar em Córdoba ou Buenos Aires, me escreva por favor!
Abraços,
Carol

segunda-feira, novembro 02, 2009

Neurofeedback

Dia da Avaliação: Estava muito ansiosa, dormi pouco na noite anterior. Também estava curiosa. Fiquei mais ansiosa ainda esperando o resultado...

Primeira sessão de neurofeedback: Ela explicou que na avaliação mostrou que eu tenho mesmo uma mente de TDA e que toda yoga e meditação que fiz nesses 14 anos deram resultados. Isto é, a impulsividade foi bastante amenizada. Por outro lado, as ondas da região que diz respeito a motivação não estavam na frequência correta, em palavras simples, ela disse que meu cérebro estava "frito" ali (ou seja, não tenho vontade de fazer nada, e mesmo quando planejo não executo) mas como é muito arriscado treinar aquela parte nas primeiras sessões, vamos primeiro treinar o foco e a concentração.
Enquanto ela colocava os eletrodos eu ia fazendo um exercício respiratório simples. Depois disso eram 3 minutos e uma pausa para regular as metas. Eu deveria ficar imóvel concentrada em um gráfico com uma barra. Quando eu estava no "estado mental de concentração adequado" a barra ficava verde e a música aumentava de intensidade (vulgo volume) entendi que isso era uma recompensa por eu ter me concentrado. O engraçado é que lá acontecia o mesmo que acontece quando eu sento para estudar: fico inquieta, querendo levantar por alguma desculpa como tomar água ou ir ao banheiro, também tinha um diálogo mental "que saco", "que coisa chata", "quero sair daqui", "estou cansada"... Claro que nessas horas, o gráfico mostrava que eu não estava concentrada, a musica diminuía e eu voltava para o exercício. A bem da verdade é que parecia uma meditação de olhos abertos, mas ela pediu que eu não usasse nenhuma técnica como prestar atenção na respiração ou outra coisa qualquer.
Depois da sessão e durante toda sessão também, estava com uma dor de cabeça infernal porque tinha decidido parar de tomar café, depois de ler o que Steve Pavlina fala sobre acordar cedo (eu gosto dessa idéia, e por algum tempo da minha vida, leia-se: quando eu fazia yoga com o Marco as 6:15 da manhã, estabeleci essa rotina, algo como dormir entre 20-20:30h até 4-4:30hs, estudava, depois corria, fazia yoga...) e a abstinência estava me deixando doida.
Saindo de lá, fui me afogar em um balde de café, depois que ela comentou que café ajuda no meu caso (nossa, como sou influenciável, credo!)
Indo para casa, passei na feira da igrejinha, guardei algumas frutas, comi outras, separei o material da aula de tricô vi alguns emails e fui para a aula correndo. Chegando lá o DCE estava fechado, tivemos a idéia de fazer excepcionalmente a aula na praça de alimentação do centro de eventos... Foi bom ver as meninas tricotando lá, mas o barulho... cheguei em casa e fui esquentar a quinoa com beringela... hummm coloquei no microondas e deitei no sofá. Apaguei ali mesmo. Devo ter dormido uns vinte minutos. Mas quando acordei estava nova! Comi, trabalhei, organizei minha agenda da semana e fui dormir ainda empolgada. Durante todo dia seguinte me senti feliz e com esperança que minha vida iria ser diferente. Não sei se foram as expectativas positivas, mas fiquei com a forte impressão que foi resultado sutil desse primeiro dia. Estou tão impressionada, que cogito a possibilidade de comprar um EEG (depois que terminar meu treinamento-tratamento) para me auto-treinar e melhorar minha performance em várias áreas da minha vida: Ser uma estudante mais focada, uma meditadora mais disciplinada, uma esportista mais ativa (correndo e dançando), uma blogueira mais organizada, ser mais motivada e executar o que planejo...
(Note que a coisa é milagrosa ;p - Amig@s, preciso de um desconto, fazia tempo que não acreditava em alguma coisa tão fortemente...)

sábado, outubro 31, 2009

Na hora do desespero...

Estou confusa e não sei como lidar com essa situação. Em um momento penso que sou esperta, no momento seguinte acho que sou incapaz de aprender qualquer assunto porque sou desorganizada, sem foco, e não sei me planejar realisticamente. Além disso, acho que meus colegas sabem coisas que eu deveria saber e não sei, isso causa um certo stress.

O problema real: Tenho Déficit de Atenção (DDA ou TDA)
Um problema organico e genético que tem a ver com a frequencia das ondas cerebrais. O tratamento é tomar um medicamento controlado, chamado ritalina.
Já sei disso a 5 anos mas tenho medo desse tratamento, e não fui diagnosticada por um médico. Na época que frequentava um psquiatra para resolver minha ansiedade em relação ao vestibular e insônia (2000 ou 2002, não lembro), comentei com ele que havia me identificado com os sintomas de DDA, pesquisando na internet, e ele ficou furioso e me disse que DDA era diagnosticado em crianças e somente do sexo masculino. Infelizmente eu acreditei e segui tomando remedinho para dormir e acordando retardada. Não aguentei esse tratamento, nem esse médico e me dei alta... Voltei para o yoga e comecei a correr ao inves de caminhar...
Alguns anos depois, enfrentando problemas no bacharelado e conversando com um amigo que se achava DDA, recebi a indicação para ler o livro Mentes Inquietas da Ana Beatriz e me identifiquei completamente. Procurei novamente um especialista e nem cheguei a marcar uma consulta quando ele me disse que o preço da consulta semanal era 150-200 reais. O anterior tava cobrando 120 reais por semana. O pior é que esse esfaqueamento não tem data para terminar e nem garantia de resultado... Depois não sabem porque eu detesto médicos... Devia ter procurado logo uma benzedeira...

O jeito Carolínico: Tento viver uma vida normal cheia de agendas e celular programado para bipar a cada compromisso. Incluindo comer, tomar banho e dormir. Coisas que as pessoas sem esse problema acham motivo de piada. Faço yoga, meditação e corro para me livrar do stress e tensão em que vivo, e também para controlar a ansiedade de muitas vezes esquecer de coisas importantes, me distrair facilmente, viver adiando afazeres importantes e ter uma imaginação fora do comum, especiamente para achar desculpas pró-procrastinação e fazer planos mirabolantes para meu futuro brilhante... Ou seja, viver viajando na maionese colorida. A sorte é que essa coisa também acontece ao contrário. As vezes, leia-se: quando estou trabalhando com prazer (sem me sentir pressionada) entro completamente no assunto é o que alguns autores chamam de hiperfoco. É assim que dou conta dos trabalhos e provas quando a falta de controle emocional não bloqueia tudo.
Uma outra característica de quem possui DDA é uma baixa auto-estima com forte insegurança, pois passa a vida ouvindo afirmações negativas e se sentindo frustrada, visto que não consegue realizar tarefas simples que a maior parte das pessoas consegue. Tinha uma professora descuidada que sempre me chamava de "lesma" ou "faísca atrasada" minha mãe ficou furiosa quando, criança, contei isso pra ela (infelizmente até hoje sou sempre a última a terminar de copiar coisas do quadro negro...)
A solução que eu encontrei no meio do caos:
Well... vou começar um novo tratamento que se chama Neurofeedback é caríssimo (pelo menos para meu bolso) mais é relativamente mais barato que terapia tradicional e promete me fazer ser uma pessoa normal ao fim de 25 sessões (começo na segunda (5/10), estou aguardando a disponibilidade da profissional). Ela vai colocar uns fios na minha cabeça, ligados a um aparelho (EEG) que vai "ver o que acontece" e eles vão fazer alguns estimulos, vamos ver como eu respondo e como deveria responder, vou fazer alguns exercícios de reabilitação e voilá: vou ser reeducada como devia ter vindo de fábrica.

Com tudo isso, POR QUE EU ESCOLHI FAZER MATEMÁTICA, A FINAL? Bem, isso é um fato: eu não sabia que tinha problemas reais eu achava que era só uma pessoa preguiçosa e problematica do tipo que pensa demais a respeito de tudo. Sem me sentir adequada a vida real, vivia me refugiando na biblioteca da escola sempre em busca de informações a respeito do que quer que fosse o assunto na minha mente. É óbvio que não sabia o qual curso escolher o que foi tema de algumas de minhas terapias na década que passei me tratando (enquanto ainda acreditava em terapia tradicional). Bem, mesmo assim, comecei 3 cursos até chegar no bacharelado em matemática: me matriculei em direito (não fui nem a primeira aula), cursei um ano de arquitetura e um ano de licenciatura em matemática. Mas uma coisa precisa ser dita: até entrar no bacharelado em matemática nunca tinha reprovado, nem ido mal de verdade. Também não era aluna modelo, era do tipo que prestava atenção na aula (se fosse interessante) e estudava pouco fora da sala, porem sempre lendo muito paralelamente... É claro que não fui bem desde o começo do curso, porque não tinha disciplina e não sabia que era tão necessária. Agora acredito que sem disciplina é impossível se destacar em qualquer que seja a área, especialmente em se falando de vida acadêmica. E estou tentando correr atrás dessa Habilidade desesperadamente, apesar do DDA.
Com um pouco de insistencia vou conseguir terminar o bacharelado em matemática (ou vou morrer tentando!)

POR QUE ESTOU NESSE CAOS? Porque permiti que uma série de pequenas coisas como problemas no computador, desordens hormonais, insonia, ansiedade, depressão, vergonha e medo me paralisassem.

Esse desabafo foi escrito em 29/09, mas não publiquei porque achava que não tinha condições de decidir sobre o quanto iria queimar o meu filme ou não. Agora que estou mais traquila, vendo a luz no fim do túnel, entendo que dias ruins e crises fazem parte da vida de qualquer ser humano imperfeito, e admitir isso é apenas o primeiro passo para uma existencia mais leve, sem tentar parecer o que não sou e melhorando no que for possível.